Déficit no setor tecnológico e têxtil atinge comércio local

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A falta de insumos na indústria poderá afetar o abastecimento dos estoques e atividades comerciais neste final de ano para vários setores da economia. Segundo o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-Jundiaí), entre as matérias-primas com maior déficit estão o aço, o alumínio, o cobre e outros metais, o que afeta diretamente o setor de eletroeletrônico, não só pela indisponibilidade das peças como também pela alta dos preços em função da oferta e demanda.

O vice-diretor da instituição, Claudio Palma, relata que mesmo que o setor se recupere aos poucos, o cenário ainda é de instabilidade. “O mercado é afetado pela junção de vários fatores. Desde a escassez da oferta até a flutuação cambial. Pode ser que neste final de ano isso se intensifique em alguns setores, mas a falta de matéria-prima já é enfrentada há meses”, diz.

REFLEXO

Os comerciantes já sentem os reflexos dessa escassez na rotina. É o que conta Daniele de Oliveira, de 20 anos, que trabalha em uma loja de assistência técnica de celulares. “Há dois meses estamos enfrentando uma alta de preços absurda. Se antes uma peça de celular custava R$ 40, agora ela custa R$ 80. Sem falar que há peças que sumiram do mercado”, pontua.

Isso se deve a alta dos preços da matéria em sua origem. Ainda de acordo com um levantamento feito pelo Ciesp, entre janeiro e outubro deste ano, o alumínio teve um incremento de 20,2% em seu preço doméstico. O ferro gusa, por sua vez, teve alta de 13,34%, que corresponde ao maior reajuste deste insumo desde o começo do ano.

“Para nós, o prejuízo é gigantesco, não só porque os serviços de assistência técnica são o nosso carro-chefe como também porque, com o valor elevado e a demora para a chegada dos itens, muitos clientes acabam optando pela compra de um novo aparelho, e não pela manutenção”, completa Daniele, que acredita que não haverá melhora até o próximo ano.

ROUPAS E CALÇADOS

O setor têxtil não saiu ileso da pandemia. Luís Antônio da Silva, de 53 anos, é gerente de uma loja de roupas e calçados no Centro. Ainda que para ele o desabastecimento não seja uma realidade, ele conta que manter o preço final para o consumidor é um dos principais desafios neste momento. “Alguns produtos tiveram aumento de até 20% no valor de compra. No caso dos produtos que ainda temos um bom estoque, conseguimos amenizar isso, mas nem sempre é possível, principalmente no caso das peças produzidas com tecidos importados”, reitera.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Jundiaí (Ace), Mark William Ormenese, afirma que o cenário preocupa. “As vendas de Natal poderão ser afetadas, principalmente dos pequenos lojistas. Por isso o ideal é não deixar para a última hora as compras de reposição. A própria Associação Comercial enfrentou esta falta de mercadoria no mercado. Por conta desta falta de mercadoria os prestadores de serviço estão pedindo um tempo maior de entrega e houve aumento de 100% em alguns produtos.”, reforça.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL), Edison Maltoni, a palavra-chave será planejamento. “O controle rígido do estoque de mercadorias é essencial. É muito comum quem não utiliza um programa de gestão não ter um estoque organizado.”, diz.