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Covid-19 faz Brasil chegar na autossuficiência em ventiladores pulmonares

Por Fernando Castilho da Coluna JC Negócios

O número de fábricas nacionais que produzem ventiladores pulmonares aumentou de quatro unidades, existentes no início da pandemia, para dez, contabilizadas no final de agosto – mostrando que, em um curto período, a necessidade passou a ser de 40 mil ventiladores por ano, o que corresponde a um aumento de 220%.

Os números são resultado da revisão de todo o planejamento de produção por parte das indústrias, além de colocarem a operação em capacidade máxima, com o objetivo de atender às necessidades da área da saúde.

Além disso, é importante destacar que, durante a covid-19, houve a reconversão de algumas empresas para produção de insumos que antes não fabricavam.

No início da crise, a importação de respiradores, usados no tratamento de pacientes graves com doenças respiratórias, como a Covid-19 criou problemas sérios quando a Ministério da Saúde tentou comprar 30 mil respiradores, entre produtos comprados de empresas nacionais e no exterior.

Uma tentativa de importação da China deu errado, porque os Estados Unidos fizeram uma grande compra e não sobrou estoque para atender o Brasil.

Segundo o superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos de Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios, Paulo Henrique Fraccaro, essa união da indústria como um todo é resultado dos esforços que a ABIMO tem feito, nos últimos meses, para encontrar alternativas viáveis na produção dos itens necessários ao combate da pandemia de coronavírus.

Segundo ele a indústria da área odontológica que passou a produzir álcool gel, a indústria têxtil que colaborou na produção de máscaras simples de proteção, além de setores que fizeram parcerias com a indústria de saúde, como o automobilístico e o aeronáutico são exemplos disso.

O que é fundamental, diz Fraccaro, é que neste cenário, a produção de outros insumos também gerou o aquecimento da indústria. O consumo de monitores paramédicos, por exemplo, aumentou em 200% desde o início da pandemia.

Na crise, a área pública concentrou 90% de toda esta demanda, uma vez que, no início, os convênios médicos não estavam preparados para atender pacientes com a Covid-19.

Com este cenário, a indústria registrou, também, aumento na contratação e geração de novas vagas de empregos. “Apesar dos bons números, é importante ressaltar que houve algumas barreiras sensíveis no percurso, como a escassez de insumos e o escalonamento produtivo.

Apesar de tudo, para Fraccaro, a indústria mostrou a importância que tem para o país e, como associação representante do setor, mais do que nunca, buscaremos esforços para a valorização dele”.

E mesmo com esses números, o Brasil continua a comprar equipamento e material medido do exterior além da China. O fornecimento é concentrado e vem principalmente de Estados Unidos, Europa e Japão embora o Brasil também exporte produtos de para outros parceiros comerciais, incluindo Estados Unidos, Europa, América Latina e Oriente Médio.

Antes da pandemia, o Brasil exportou de janeiro a março, US$ 1,2 milhão, em produtos de saúde para os países árabes com queda de 56% sobre igual período de 2019. Mas também comprou de países árabes como Egito, Emirados, Marrocos e Tunísia. Os números foram fornecidos à ANBA pela Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (Abraidi).

Os produtos são órteses e próteses, materiais descartáveis, como seringas e curativos, equipamentos médicos de pequeno a grande porte, equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscaras e luvas, respiradores, produtos para análises e testes como reagentes, instrumentos cirúrgicos, bombas de infusão, entre outros.

Os árabes exportam ao Brasil instrumentos e aparelhos para cirurgia, sondas, cateteres e cânulas, seringas, tubos, acessórios para tubos, reagentes de diagnósticos ou laboratórios, partes e acessórios para instrumentos e aparelhos para análises.