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Costureira, Joana perdeu dedos da mão, mas não o sorriso – Comportamento

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Joana trabalhando na costura em casa. (Foto: Henrique Kawaminami)

Depois de ouvir a história de Joana para essa matéria, fiquei pensando sobre a existência ou não de alguma coisa no universo que pune as pessoas por algum motivo específico. Por que a vida pra alguns são tão desafiadoras, perigosa, injusta? Será somente o acaso?

Joana é costureira. E ser costureira é o que dá sentido a sua vida agora. Nascida em Dourados, morou interior de São Paulo nos anos 2000, onde vendeu salgado, marmita, mas não deu certo.

Joana é especialzada em confecção de lingeries (Foto: Henriqeu Kawaminami)
Joana é especialzada em confecção de lingeries (Foto: Henriqeu Kawaminami)

De volta a Mato Grosso do Sul, desembarcou em Nova Alvorada do Sul. Lá, em um final de semana, apenas dois dias, aprendeu a costurar algumas peças.

“Foi um curso bem fraquinho que tivemos. Eu aprendi a costurar cueca, e sutiã praticamente sem tocar na máquina”, lembra Joana.

A vida andava bem até que em 2015 uma queimadura não tão grave findou na perda de vários dedos das mãos. “Eu sofri uma queimadura no polegar e por erro médico, deles tentarem resolver o caso, eu peguei uma infecção óssea, que evoluiu e eu perdi três dedos de uma mão e um da outra”, recorda.

Não é preciso nem lembrar da importância das mãos na prática da costura. Mesmo assim, depois de longos meses de recuperação, Joana voltou ao ofício.

Joana perdeu os dedos depois de uma infecção óssea (Foto: Henrique Kawaminami)
Joana perdeu os dedos depois de uma infecção óssea (Foto: Henrique Kawaminami)

Porém, quando ainda se remontava emocionalmente, outra tragédia, por assim dizer. Bandidos invadiram a casa de Joana para levar um carro, mas quase levaram a vida dela junto.

“Eu tinha uma fabriqueta em frente de casa que eu vendia para atacado. Meu marido tinha saído de moto, e tínhamos uma camionete na época, que eles queriam levar. Tocaram a campainha como se fossem compradores de lingerie. A hora que entraram anunciaram o assalto”, conta.

Foi quando Joana correu pedindo socorro. Ela foi alcançada e levou cinco facadas de um dos criminosos. “Ele ainda colocaram fogo na minha casa, eu perdi todos os meus equipamentos da fabriqueta. Isso ainda é o que mais me dói, foi o início da depressão severa que luto contra”.

Como Joana já disse, a partir desse fato iniciou-se o quadro de depressão. Joana conta que desde 2016 passa por altos e baixos, mas avalia que está no seu melhor momento desde que tudo aconteceu.

Joana passou por várias adaptações, mas está se virando otimamente bem hoje em dia (Foto: Henrique Kawaminami)
Joana passou por várias adaptações, mas está se virando otimamente bem hoje em dia (Foto: Henrique Kawaminami)

“A depressão não afeta somente a mim. Então tem dias que não quero sair da cama, não quero olhar pra cara de ninguém. Ela não vai embora de uma vez, tenho recaídas, mas eu me levanto sempre, graças a Deus”.

Não é só a fé que está ajudando Joana a atravessar essa parte turva do mar que é nossa alma, a costura tem sido uma aliada vital.

A luta contra depressão não é fácil, fácil é o sorriso de Joana (Foto: Henrique Kawaminami)
A luta contra depressão não é fácil, fácil é o sorriso de Joana (Foto: Henrique Kawaminami)

“A costura me fez voltar a sonhar de novo. Achei que eu não poderia mais costurar sem os meus dedos e hoje eu costuro, corto, faço tudo. Ela me ajuda me tirando essa sombra negra que a depressão me traz”.

Outro sonho que dá sentido à vida de Joana é a vontade de montar uma ONG para confeccionar kits de costura e dar aos mais necessitados. “É um sonho muito antigo que sinto que está cada vez mais próximo, não é fácil, é caro, mas uma hora eu consigo”.

O contato de dona Joana é o: 9-9903-2038.

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