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conheça quatro designers de calçados e suas obras surrealistas

Enquanto a moda se adapta a um novo formato de calendário durante a pandemia, designers nos quatro cantos do mundo continuam repensando um novo ritmo para o setor fashion, onde impactos e desperdícios são reduzidos pelas mãos de artistas. As obras são pinceladas por referências estéticas e conceituais do movimento surrealista. De olho nas criações dignas de ganharem destaques nos museus, a revista i-D destacou alguns sapatos que ganham outro significado ao serem calçados.

Vem comigo conferir os modelos!

Diane Gaignoux

Diane estudou moda na Duperré School, em Paris. Em seguida, buscou especialização na área têxtil e em designer de moda, pelo bacharelado na renomada escola de arte Central Saint Martins College of Art, em Londres. Em 2018, o trabalho de conclusão final do curso já mostrou o encanto da profissional por texturas, volumes e cores.

A coleção de primavera/verão 2019 assinada pela designer desafiou e questionou o mundo da alta-costura, priorizando um ponto de vista conceitual e utilizando a estética das roupas ready-to-wear como uma tela artística para se expressar. Outro destaque que riscou as passarelas foram os sapatos, experimentação pura inspirada em esculturas.

“Esta coleção é sobre a escultura de identidade e a passagem de influência. Como nos construímos e como as pessoas e o ambiente ao nosso redor nos moldam e nos afetam? O processo em si não era uma metáfora, mas, literalmente, eu recebendo todas essas informações, digerindo-as e incorporando-as. Selecionando bits e compondo com eles, essas figuras subjetivas eram, portanto, uma autorreflexão por absorção”, explicou Diane ao portal Granary.

Granary/Reprodução
Diane Gaignoux também aposta em sapatos surrealistas

 

Granary/Reprodução
Na conclusão do seu bacharelado em design de moda, a estilista já apostava nos sapatos criativos

 

Granary/Reprodução
A designer trabalha com silicone nos sapatos desde a faculdade

De olho no trabalho artesanal da designer de sapatos, a i-D entrevistou Diane para saber mais sobre seu trabalho artesanal e escultural, no qual a artista cria peças de silicone a partir de calçados vintage. O material proporciona textura às peças, uma de suas características artísticas.

A profissional acredita que a matéria-prima plástica questiona as definições pessoais de beleza. “O que eu primeiro amei sobre a materialidade e a textura do silicone é a ambiguidade criada entre gosto e desgosto. Também fiquei muito atraída pelo aspecto inacabado que ele cria, como se o calçado estivesse para sempre em processo de ser esculpido”, explicou.

Ressignificar peças vintage e tornar os acessórios em verdadeiras obras de arte requer experimentos, mas a designer não abre mão do conforto. “Por enquanto, estou me concentrando mais nos aspectos estéticos, considerando-os muito mais como objetos, explorando cores, formas e texturas. Gostaria de saber se poderia haver uma correlação entre o fetichismo do sapato e como o silicone faz meus sapatos parecerem iguarias e, portanto, objetos de desejo”, pontuou.

Alison Pyrke

Com 15 anos de experiência no mercado, a designer de moda possui um extenso portfólio de marcas e coleções, o destaque vai para as etiquetas australianas, em que Alison Pyrker desenvolveu linhas de lingerie, cuecas e demais peças sociais.

Foi sua fascinação por calçados que deu origem aos sapatos de salto em seda. No projeto artístico, a designer explora as formas conceituais, criativas e funcionais do acessório.

“Para mim, o calçado é uma mediação entre o corpo e a superfície; os sapatos permitem que o corpo faça todos os tipos de atividades que seriam impossíveis sem esse apêndice adicional. Essa definição costuma ser a base de minhas explorações: procuro trabalhar com a funcionalidade do corpo por meio de construções de calçados e, por sua vez, a construção de calçados a partir da forma do pé”, explicou.

Os testes da artista não têm limites, são experimentação pura. “Os Soft Stilettos também permitem que o usuário assuma o controle de sua interação com esse calçado. Eles podem andar na ponta dos pés para ativar os calcanhares ou deleitar-se na cama”, pontuou.

Apesar do visual delicado e frágil, os acessórios continuam sendo funcionais. Portanto, a designer não esconde o sonho de criar sapatos totalmente abstratos.

Ugo Paulon

Unindo o lado conceitual ao comercial com maestria, Ugo desenvolve sapatos a partir de materiais reciclados. Além de shapes modernos e volumosos, o upcyling proporciona estampas inusitadas aos calçados. A Ugo Paulon aposta em um novo ritmo para a moda por meio da sua marca homônima, diminuindo impactos e desperdícios.

“Buscar a sustentabilidade e a circularidade está no cerne do que faço; é o ponto de partida do rótulo. Todos nós temos uma longa jornada pela frente em termos de desaprender velhas práticas em todas as áreas. De forma alguma esses sapatos terão qualquer impacto positivo sobre os problemas já causados. Até que tenhamos soluções para os problemas, o mínimo que posso fazer é garantir que não aumente o dano”, frisou.

Suas obras de arte também começam a partir de sapatos vintage. Além da curadoria dos sapatos, roupas, acessórios e tecidos de segunda mão são selecionados como base para as criações. Nas mãos de Ugo tudo é ressignificado, ganhando novo design e proposta para o ciclo da moda.

O designer de sapatos agrega práticas sustentáveis há anos. Suas habilidades garantem bom acabamento às peças únicas. “Os resultados são, em certa medida, até experimentações no processo. Felizmente, não sou um escravo da simetria ou da perfeição, já que não há chance de todos os sapatos saírem iguais. Eu abraço a incompatibilidade em cada par”, explicou.

Ugo Paulon/Divulgação
Ugo Paulon lança modelos únicos

 

Ugo Paulon/Divulgação
Sapatos vintage, tecidos e acessórios de segunda mão são usados para construir as peças
Olivia Pudelko

Olivia é o jovem nome por trás da marca Western Affair. Aos 25 anos, a designer encanta a internet com seus sapatos feitos a partir de materiais do cotidiano, como tapetes, gravatas e esfregões utilizados na limpeza das casas.

“Quando você estuda arte, é encorajado a usar objetos do cotidiano ou itens descartados e vê-los como outra coisa. Acho que na moda essa prática não é tão comum, especialmente em uma escala maior. Agora estou focada em ver até onde posso levar isso, em termos de produção. É preciso muito convencimento para uma marca praticamente desconhecida ter um fabricante que concorda em fazer sapatos com tapetes velhos, mas estou fazendo isso acontecer”, afirmou.

A designer iniciou sua carreira fazendo sapatos para acervo de editoriais de moda, campanha e desfiles. No início, Olivia trabalhava com cera, tecidos queimados, madeiras e até látex. Portanto, precisou adaptar sua produção para proporcionar uma maior ergonomia, sempre sem perder a essência artística dos modelos.

“Sustentabilidade é a primeira coisa em que penso quando tenho novas ideias. Acho que, no design de calçados, talvez seja mais difícil ser sustentável do que com roupas. Por exemplo, quando um salto é feito de plástico reciclado, ele não será tão forte. Ou quando trabalho com material morto, sei que a borracha não vai durar mais do que alguns anos. Acho que uma inovação seria muito necessária em algumas áreas do design de calçados. Conforme minha marca cresce, investirei nesse campo e espero fazer algumas mudanças positivas”, concluiu.

Colaborou Sabrina Pessoa