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Conheça o estilista que entrou para o Guinness Book por desenvolver alta-costura aos 16 anos – Vogue

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Andrea Brocca (Foto: Divulgação/ Abdulla Elmaz)

“Minha prioridade é ultrapassar meus próprios limites”, diz o designer e couturier Andrea Brocca sobre seu ethos criativo. “Quero desafiar as normas de padrão de corte, e criar arte.” E esses princípios são exatamente o que ele oferece com sua da coleção de estreia “Equilibrium”, que acontece em paralelo à semana de alta-costura. Mas o designer italiano-cingalês de 25 anos não se preocupou com seu primeiro grande lançamento, pois ele já causou um grande burburinho na indústria, tendo ganhado uma série de elogios.

Ele não só vestiu Lady Gaga e a cantora britânica Rina Sawayama, mas também frequentou duas instituições de moda reverenciadas: a École de la Chambre Syndicale de la Couture Parisienne e a Central Saint Martins de Londres. Aos 16 anos, Brocca também recebeu o prestigioso título de o “mais jovem couturier” no livro dos records do Guinness Book. “Eu queria fazer moda desde os sete anos e levava isso muito a sério”, diz ele. “Quando ganhei o título, senti uma enorme responsabilidade de elevar o padrão da construção no design.”

Andrea Brocca (Foto: Divulgação/ Abdulla Elmaz)

Andrea Brocca (Foto: Divulgação/ Abdulla Elmaz)

Sua coleção de estreia é inspirada na espiral logarítmica, relacionada à sequência do matemático italiano Fibonacci, que muitas vezes aparece na natureza e também é conhecida como “proporção áurea”. O resultado final? Uma demonstração artística de habilidade magistral e precisão, que também usa materiais ecológicos. “Tudo é feito com tecidos de estoque morto, como moiré de seda, organza e couro sustentável”, diz Brocca. “Em vez de desenhos, a maior parte do meu caderno está cheia de equações, e foi assim que desenvolvi meu corte.”

Antes de sua apresentação presencial em Paris no dia 5 de julho, a Vogue conversou com o jovem estilista sobre a coleção, seu currículo impressionante e por que o futuro da alta-costura está na “demi-couture”.

Qual é a sua primeira lembrança da moda e de onde veio o seu interesse por roupas?
“Eu era obcecado pelas roupas da minha mãe e passava muito tempo olhando no armário dela. Ela amava o estilo italiano luxuoso e a qualidade, então ela investia em peças específicas de estilistas, especialmente de Gianfranco Ferré, que é a razão pela qual me inspiro tanto pelo seu trabalho. Então, quando eu tinha sete anos, fiquei obcecado por desenhar roupas históricas.”

Como frequentar a École de la Chambre Syndicale de la Couture Parisienne e a Central Saint Martins influenciou seu trabalho? Além disso, quais experiências de trabalho foram vitais ao seu treinamento?
“A École de la Chambre Syndicale foi onde aprendi muitas habilidades e técnicas. Depois de terminar meus estudos lá, me mudei para a Central Saint Martins, que foi mais uma experiência sociológica em uma instituição incrivelmente ambiciosa.

Eu tenho uma história um pouco engraçada. Quando eu tinha 14 anos, aprendi a fazer drapeados quando comecei a trabalhar na Temperley em Londres. Abri minha própria grife e loja em Dubai aos 16 anos, onde fazia roupas de festa customizadas, mas ela fechou porque eu não estava chegando, criativamente, onde queria. Depois, durante os meus estudos universitários, trabalhei na Prabal Gurung e na Ellery, onde também fiz muitos drapeados, e na Bottega Veneta, onde aprendi a trabalhar com couro e a construir casacos.”

Andrea Brocca (Foto: Divulgação)

O estilista Andrea Brocca (Foto: Divulgação)

Como você definiria a estética de Andrea Brocca?
“Minha estética é sinistra, romântica e arquitetônica. Todas as minhas inspirações vêm de minha formação multicultural: minha educação no Oriente Médio, bem como minha herança italiana e do Sri Lanka.”

O que há no ofício da alta-costura que o atraiu? 
“A alta-costura, para mim, é a forma de arte mais elevada da moda e gosto de pensar em mim como alguém que cria uma arte vestível. Também sou obcecado por precisão e técnica, então fui naturalmente direcionado ao ofício de tudo isso.”

O mundo da alta-costura está mudando com jovens estilistas, como você, entrando em cena. Qual é o futuro da alta-costura?
“Temos tanta produção em massa na moda e a demi-couture é o equilíbrio perfeito entre o prêt-à-porter luxuoso e as peças customizadas. É sustentável e realmente é o futuro. É também uma maneira saudável de lidar com o comércio – sem excessos – e ainda manter relacionamentos entre estilista e cliente.”

Andrea Brocca (Foto: Divulgação/ Abdulla Elmaz)

Andrea Brocca (Foto: Divulgação/ Abdulla Elmaz)

Fale sobre a coleção de estreia e suas referências. 
“Estava assistindo ao filme Ninfomaníaca de Lars von Trier de 2013 e vi a espiral logarítmica numa cena, que desencadeou memórias de infância. Quando eu era menino, era inspirado pela sequência de Fibonacci porque, já que cresci no Oriente Médio, vi muita arte árabe baseada na matemática. Então, desenvolvi uma técnica com dobras curvas em continuação, criando um volume tridimensional a partir de tecidos planos, então toda a coleção é baseada no corte em espiral, solidificado com subestruturas.”

Qual foi a peça mais difícil de fazer? Conte-nos sobre os processos envolvidos.
“Foi definitivamente o casaco de couro, onde estendi a espiral logarítmica pelos braços para criar uma estrutura abstrata. Aplicar uma construção tão intensa em uma manga tornou-a uma peça supertécnica e complexa – eu tive que refinar o modelo cerca de 15 vezes.”

Andrea Brocca (Foto: Divulgação/ Abdulla Elmaz)

Andrea Brocca (Foto: Divulgação/ Abdulla Elmaz)

O que o faz continuar quando está criando uma coleção que exige muita paciência e precisão?  
“Honestamente? A Deliveroo (empresa de delivery de comida). Mas, falando sério, sou obsessivo com o que faço, então realmente tudo está relacionado com minhas criações e os processos delas. Eu amo isso. Tentei namorar alguém enquanto fazia esta coleção e, claro, não deu certo.”

Algum conselho para outros jovens estilistas que estão tentando entrar na moda? 
“Desafie-se, desenvolva técnicas pessoais e, por fim, dê tudo de si para dominar o seu ofício. Acho que ainda não cheguei lá, mas estou trabalhando obsessivamente nisso!”