Com 30% a mais nos pedidos, fbrica de pano de cho aposta no trabalho de reeducandos

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Foto: Divulgao

Com a pandemia do novo coronavírus, onde o lema é a limpeza, os pedidos de pano de chão e flanela de uma fábrica, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife,  aumentaram em 30%, e quem está dando conta das encomendas e ajudando na produção são reeeducandos do regime aberto, vinculados ao Patronato Penitenciário, órgão ligado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH); e do semiaberto, acompanhados pela Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres).

Vinte foram contratados no mês de junho deste ano para as áreas de costura e embalagem. Eles se juntaram aos 32 que já exercem atividades no parque industrial. Maria Ediane Ferreira, 33, é uma das responsáveis pela costura dos panos de chão e flanelas, está no regime aberto e grata pela oportunidade que lhe foi dada. “O trabalho aqui está mudando a minha vida”, diz.    

A fábrica abre as portas para a ressocialização desde 2000, através de convênios de empregabilidade com o Patronato Penitenciário e com a Seres. Atualmente são 52 apenados trabalhando através de convênios e 16 ex-reeducandos que já concluíram  a pena, foram contratados e estão no regime CLT. “Gosto muito da empresa, ela me deu a oportunidade de progredir de regime, hoje estou na condicional.  Foi o primeiro serviço depois que saí da unidade e pretendo continuar neste local”, explica José Lucas, 26.

Para o diretor da Algo Bom, Antônio Carlos Cisneiros, o objetivo maior é reinserir os reeducandos no mercado de trabalho, é dar oportunidades. “O reeducando que trabalha na fárica, ao final da pena, tem a carteira de trabalho assinada e todos os direitos de acordo com a CLT”, explica. 

O horário de trabalho é de 6h às 16h, e pelos serviços os reeducandos são remunerados com um salário mínimo (R.045,00), passagem, alimentação e uma cesta básica.  “Aqui em Pernambuco seguimos acreditando que a educação e a profissionalização são os principais pilares para a ressocialização. Os números reforçam essa ideia, quando demonstra que apenas 1% dos reeducandos que trabalham voltam a reincidir”, analisa o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico.