Colaboração e solidariedade é o nome do jogo agora | Blog Seu Negócio

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Dados do Monitor das Doações COVID 19, criado pela ABCR (Associação Brasileira dos Captadores de Recursos) para acompanhar o movimento de solidariedade em maço, com o surgimento da pandemia, apontou que o maior volume de doações aconteceu até o final de maio, quando a curva da pandemia no Brasil esteve acentuada para cima.

É necessário que essas ações continuem e parcerias sejam firmadas. Mas, além das organizações da sociedade civil, também o poder público precisa ser cada vez mais atuante e presente para garantir dignidade para a população menos favorecida.

É importante destacar que é fundamental a elaboração de políticas públicas efetivas de apoio ao empreendedor, especialmente o menor, e de ações que tenham comprometimento visível com a igualdade de gênero, seja ligadas ao empreendedorismo ou não. A pandemia escancarou a necessidade urgente de políticas de geração de renda e criação de empregos.

Vou citar alguns exemplos desta atuação corajosa (sem romantizar desigualdades) e essenciais para garantir a sobrevivência dos pequenos negócios. Um deles é o Bistrô Mãos de Maria, que passou a distribuir milhares de marmitas diariamente em Paraisópolis, bairro periférico do município de São Paulo. Antes de março, o restaurante já atuava na capacitação de mulheres do bairro para o empreendedorismo, focado em práticas culinárias.

Inúmeras cozinhas solidárias também entraram em ação em diversos estados do país, com líderes preocupados com a diversidade nutricional no prato de quem perdeu o emprego na pandemia e não podia sair de casa por não ter onde deixar os filhos. Os pequenos produtores também estão sendo impactos nestas iniciativas.

A Adriana Barbosa do Preta Hub, assim como a Nina Silva do Black Money reforçam diariamente a importância de se investir dinheiro na população negra, destacando a importância não só de visibilidade mas também de circular recurso financeiro.

O Mães da Favela liderado pela CUFA (Central Única das Favelas), movimento que colocou um olhar sobre as mães que tanto foram afetadas pela pandemia, chama a atenção para esta causa fundamental , principalmente em prol de mulheres negras, mães solo e empreendedoras. A iniciativa fornece uma renda básica mensal para que elas possam aplicar em suas vidas e negócios o recurso.

Na Rede Mulher Empreendedora (RME) captamos R$ 40 milhões para projetos de geração de renda. Um deles, o Heróis Usam Máscaras, empregou 5.983 profissionais de costura, sendo 98% mulheres, para produzirem mais de 10 milhões de máscaras que agora estão sendo distribuídas gratuitamente em todo Brasil. Esta ação específica deu uma mão também para organizações sociais, fábricas de tecido e distribuidoras, que se beneficiaram com uma parceria entre a RME e os bancos Bradesco, Itaú e Santander.

Para chegar em mais mulheres, produzimos mais de 355 horas de conteúdo qualificado para a internet, que impactaram mais de 204 mil empreendedoras. Em parceria com o Google, promovemos mais de 1 mil horas de mentorias coletivas e individuais. Também co-criamos e realizamos duas iniciativas de acesso a crédito: o Fundo Estímulo 2020 e o Fundo Dona de Mim.

Acredito que mulheres mudam o mundo! Trabalho para isso e faço um pedido aberto a todos que lerem este texto. Não vamos deixar que esse movimento de apoio passe após a pandemia acabar ou a curva do vírus se acentuar. Milhares de pessoas convivem com a desigualdade todos os dias e oferecer apoio a quem trabalha diretamente com esse grupo é importante para tornar a sociedade um lugar mais justo.