Cepe publica romance de Maurício Melo Júnior

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A convivência entre o moderno e o arcaico em Pernambuco é pano de fundo para a narrativa do romance Não me empurre para os perdidos (Cepe, 185 pp, R$; 25), do jornalista, crítico literário e escritor Maurício Melo Júnior. O olhar de quem vem de fora – um estrangeiro de formação requintada, tradutor, escritor, F. – se volta para um país ainda marcado pela cultura da escravidão em pleno ano de 1924, e mesmo assim preocupado em criar um ambiente de modernidade. Maurício costura três histórias que convivem em paralelo. Enquanto F. vive a defender a importância da leitura e da escrita, duas coisas para as quais se dedica com prazer, também maldiz seu ofício burocrático de tradutor em um escritório de exportação e importação. Por outro lado mostra ao leitor e aos intelectuais que se reúnem no Café Continental seus escritos sobre Max, um judeu que demora nove dias para enterrar um amigo. Ambientada em Recife, Melo Júnior cita lugares e fatos icônicos das décadas de 1920 e 1930, enriquecidos por supostos diálogos de F. com escritores e intelectuais da época.