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Carreira como fonte de saúde



Grazi Cavenaghi (Foto: Divulgação)

Querido leitor, uma honra receber você. Esta semana fizemos quatro lives para falarmos sobre a importância do nosso trabalho, da nossa carreira, como fonte de saúde. Confesso que em todas elas eu lembrei-me da minha avó materna, que teve câncer de mama, e nunca parou de trabalhar. Resolvi trazer novamente a história dessa anciã e sua mama fake.
Minha avó era uma das mulheres mais fortes que conheci. Não sabia ler, mas viajava sozinha (descobri agora o porquê eu gosto tanto disso também), negociava como ninguém e era uma vendedora nata.
Acordava muito cedo (olha outra coisa que fazemos igual), já deixava tudo arrumado, casa, comida e saia para “mascatear”, como se dizia naquela época.
Dona Suzana estava sempre impecável! Maquiada, arrumada e cheirosa. Não tinha posses, logo, tudo era simples e feito por ela. “Enjoada e metida”, acho que era assim que ela se intitulava!
Lembro-me que ela dizia teve que se virar sozinha ainda criança. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas dois anos e, desde pequena, ela já era grande. Me contava que fazia as suas próprias calcinhas, já que, naquela época, na realidade dela, isso não existia. Ela pegava pano velho, agulha e linha e providenciava as suas calcinhas por suas próprias mãos. Ela não reclamava! Ela não esperava, só fazia!
Eita! Que mulher arretada era aquela!
Assim como quando criança fazia as suas calcinhas, quando adulta, morando no sítio, cansada da casa suja por falta de forro, ela juntou os retalhos da sua costura e forrou o telhado. Que lindo era aquilo: o forro de retalhos da Zana.
Ela também fazia colcha de retalhos e tapete de retalhos. Ela resolvia tudo com o que tinha, e fazia uma casa diferente toda a semana! A dona Zana não gostava da mesmice, logo, trocava os móveis de lugares, sempre! Até a geladeira entrava na rodada! Cada vez que você a visitava era um espaço novo.  Além de diferente e novo, tudo naquela casa era limpo, cheiroso e arrumado.
Os copos e as latas de alumínio eram brilhantes, com “bolinhas”! Sim, ela “ariava” tudo com esponja de aço para dar luz e deixar diferente. Nesse caso, eram feitos círculos e tudo ganha cara nova.
Segundo ela, a minha mãe quando bebê, só andava de branco, como um anjinho, apesar de morarem no sítio em meio da terra vermelha! Acho que a Zana fazia da Cidinha sua bonequinha.
Lembro da sua penteadeira com cremes, perfumes, uma caixa de esmaltes vermelhos.
Dona Zana não tinha uma mama. No começo,  eu me assustava.  Era um enorme buraco no lugar do seio, que se estendia pelo braço, por onde foram arrancadas as glândulas. Sabe o que ele fez com esse buraco? Ela acabou com ele,  colocando uma mama fake! Uma mama feita de espuma por ela mesma.
Um exemplo de mulher de ação. Que tal se inspirar nela?
Resolva o que precisa, com o que tem. O que você não tem, produza um fake ou desapegue!
E como nosso foco é progredir, vamos juntos?
Costure com as suas mãos o que for importante e use o trabalho como fonte de energia, buscando a força das anciãs de sua família.
Ative a “Zana” que há em você, pois queremos um eu melhor, as pessoas à nossa volta melhores, um Mundo Melhor.
Vamos juntos?
Porque juntos somos +

 


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