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Calçadistas brasileiros e argentinos unidos contra redução da Tarifa Externa Comum do Mercosul

Novo  Hamburgo (RS) – Diante da reunião do Mercosul marcada para ocorrer amanhã (26), em Buenos Aires, os calçadistas brasileiros e argentinos deixaram os interesses individuais de lado para combater um inimigo em comum: uma possível redução da Tarifa Externa Comum (TEC).

Conforme manifesto assinado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e pela Cámara de la Industria del Calzado da Argentina (CIC), o bloco deve quantificar benefícios incertos antes de avançar na discussão da redução unilateral e gratuita da estrutura tarifária.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que a entidade é favorável ao livre mercado, mas que qualquer redução tarifária deve ocorrer em concomitância com a redução dos custos produtivos nos países signatários do Mercosul, muito mais elevados do que os praticados nos países asiáticos, por exemplo.

“Hoje, em virtude do elevado Custo Brasil, não teríamos as mínimas condições de competir em par de igualdade com os produtores asiáticos. A redução da TEC provocaria uma invasão de produtos daquele continente a preços muito inferiores aos praticados no mercado interno. Seria um desastre para a indústria calçadista brasileira, que colocaria em risco milhares de empregos e minaria a retomada depois de um ano muito difícil”, alerta Ferreira.

O dirigente da Abicalçados ressalta que, indiretamente, a redução unilateral afetaria ainda as exportações, diante da perda de competitividade das exportadoras brasileiras e argentinas. Atualmente, a TEC é, em média, 35% para entrada de calçados de fora do Mercosul.

Mercado

Com grande  parcela brasileira, a indústria calçadista do Mercosul produz mais de 1 bilhão de pares de calçados por ano e gera mais de 300 mil postos de trabalhos diretos em 6,2 mil fábricas.

“É uma indústria altamente geradora de empregos, intensiva em mão de obra e que passa por elos com as indústrias do couro, têxtil, plástico, borracha, metalurgia, bens de capital, embalagens, entre outras cadeias produtivas importantes. Enfraquecer essa cadeia traria graves consequências econômicas e sociais para os países signatários do Mercosul”, conclui o dirigente da Abicalçados.

(*) Com informações da Abicalçados

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