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Brasil vira destino de angolanos que tentam fugir de pobreza extrema e corrupção

 

O Brasil é o destino de muitos angolanos que tentam fugir da pobreza extrema. O Ministério da Justiça e Segurança Pública tem uma lista com mais de 4.000 angolanos que esperam o visto brasileiro, mas que se mudam antes mesmo de conseguirem a documentação para buscar oportunidades de trabalho. 

Shelfa Caxino, por exemplo, veio para São Paulo há três anos para trabalhar como garçonete, porém chamou a atenção de empresários da alta costura pela beleza e estatura. Hoje, ela é modelo e afirmou à CNN que no país de origem vivia em uma casa com mais dez pessoas e apenas o pai trabalhava. 

Com 32 milhões de habitantes, quase metade da população da Angola vive sem luz em casa e a maioria não tem acesso à água. Apenas 22% dos moradores são abastecidos pela rede, sendo que 21% dependem de caminhões pipa.

A população atribui a culpa dessa situação ao governo do presidente João Lourenço. Apesar de um dos discursos dele ser de combate à corrupção, ele teve que lidar com escândalos envolvendo o chefe de gabinete Edeltrudes Costa, acusado de superfaturamento por meio de obras. 

As denúncias contra Costa resultaram em manifestações pedindo que ele saísse do cargo. Os protestos também cobram incentivo ao emprego. 

“Não há futuro com o partido que está no poder”, diz o rapper e ativista social Adelino Dembo. “O angolano é um indivíduo desesperado.” 

Em consequência da desigualdade na Angola, 54% da população vive na pobreza multidimensional, ou seja, eles não têm acesso de qualidade à saúde, educação e emprego. Além disso, a expectativa de vida é de apenas 42 anos.