Blumenau perdeu a capacidade de sonhar e realizar as grandes obras necessárias para a cidade

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Domingo é um bom dia para refletir e hoje resolvi escrever para aquelas pessoas que já viram muitas coisas acontecerem em Blumenau, mas se acomodaram por conta de discursos derrotistas e enfadonhos de pessoas que preferiram fazer de Blumenau uma refém do assistencialismo.

A foto acima é de um avião Foker 50 da companhia TAM e foi postado no grupo Antigamente em Blumenau (facebook) pelo Ricardo da Conceição. Entre os anos de 1988 a 1994 o aeroporto Quero-Quero tinha uma linha da companhia que saia de Blumenau e ia direto até São Paulo e foi muito utilizada por empresários e comerciantes que tinham negócios por lá ou iam comprar mercadorias para suas lojas daqui.

Eu postei essa foto porque ouvi de um empresário da cidade, do ramo de tecnologia, que veio morar aqui há uns 30 anos, que disse que Blumenau perdeu a sua capacidade de sonhar e quem ousa em pedir algo diferente em época de eleição que não seja o básico, como saúde, educação e transporte coletivo, acaba sendo execrado como se nós não pudéssemos mais ter as coisas que esta cidade um dia já teve.

Por incrível que pareça Blumenau já teve um bom transporte público quando ainda não se tinha a integração, já foi uma cidade com baixíssima criminalidade e teve escolas públicas municipais que eram referência na educação nacional como, por exemplo, a Escola Básica Municipal Machado de Assis.

Mas Blumenau também já sonhou muito e todas as vezes que sonhava, alguém pensava em concretizar, como nos casos da TV Coligadas, da Rádio Nereu Ramos AM e do Jornal de Santa Catarina impresso, fazendo da cidade referência na comunicação estadual.

Blumenau já foi o maior pólo têxtil desse país, com as empresas Hering, Artex, Karsten, Sulfabril, Teka e Haco e também já teve o Vapor Blumenau I e II que navegava pelo Rio Itajaí Açú. Fomos referência para a cidade de Gramado/RS, que veio até Blumenau descobrir a nossa vocação turística e para quem não lembra mais, Blumenau já teve estádio e time de futebol, sendo campeão estadual com o Palmeiras, na década de 60, e vice-campeão do estado, em 1988, com o Blumenau Esporte Clube (BEC).

Mas Blumenau também já sonhou com grandes obras e por incrível que pareça, as concretizou, como a Ponte do Tamarindo, que iniciou no governo de Vilson Kleinubing, continuou no governo de Renato Vianna e foi terminada pelo prefeito Décio Lima.

Para receber o shopping Neumarkt, a administração pública, em 1994, fez a Rua 7 de setembro em mão única como é hoje e talvez essa tenha sido a última grande transformação no trânsito da região central desde aquele ano.

A própria Avenida Martin Luther foi uma obra importante para também fazer da Rua São Paulo uma avenida de mão única, obrigando também a Prefeitura a ir buscar verna para reformar a Ponte de Ferro, que acabou servindo de ligação entre a Martin Luther e o bairro Ponta Aguda e Rua 2 de setembro.

Tudo isso aconteceu nos tempos em que Blumenau se permitia sonhar e ter muito mais do que se tem hoje, do que se sonha hoje e do que se realiza hoje. A cidade tinha força política, tinha associações empresariais e comerciais fortes, tinha prefeitos fortes e tinha até Deputado Federal.

Então não podemos aceitar que alguém diga que Blumenau não pode ter aeroporto, não pode ter um turismo de referência, não pode ser uma cidade que receba grandes empresas, não pode ser uma cidade que tenha futebol profissional, não pode ser uma cidade que seja referência no esporte amador.

A única coisa que a gente realmente não pode ter são pessoas que tenham medo de sonhar e medo de realizar tudo aquilo que a cidade precisa, mas isso só vai mudar depois que as pessoas que moram aqui saibam escolher aqueles que realmente queiram fazer, caso contrário vamos ter uma cidade que já teve muito e que se acostumou com muito pouco.