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Apple Daily, o tabloide de Hong Kong que ousou desafiar Pequim

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O Apple Daily se tornou o tabloide mais popular de Hong Kong em 26 anos de existência, desafiando uma entidade particularmente intolerante às críticas: o poder comunista chinês.

Revistado nesta quinta-feira (17) pela polícia, o jornal, que tem como marca de fábrica as críticas ferrenhas a Pequim, é considerado agora uma ameaça para a segurança nacional, e seu futuro é incerto.

O “jornal para o povo de Hong Kong” foi fundado em 1995 por Jimmy Lai, um bilionário de 73 anos que fez fortuna na indústria têxtil depois de chegar como uma criança indefesa da China continental ao então território britânico.

Lai não era particularmente politizado até 4 de junho de 1989, quando o poder comunista enviou tanques e soldados contra os manifestantes pró-democracia à praça da Paz Celestial (Tiananmen) em Pequim.

Nos anos seguintes, tornou-se cada vez mais veemente, usando muitas vezes uma linguagem floreada para criticar os líderes chineses.

Sua marca de moda, Giordano, rapidamente encontrou problemas com o governo. Lai a revendeu e, com esse dinheiro, fundou um império midiático.

A devolução para a China do controle sobre Hong Kong exercido pelo Reino Unido em 1997 concedeu real notoriedade para o Apple Daily.

Diante do medo de vários habitantes de Hong Kong de perder sua liberdade, o tabloide se tornou a voz dos defensores da democracia e dos céticos em relação a Pequim.

– Sexo e escândalos –

Lai conquistou um nicho próprio em um cenário midiático, sendo mais ousado e estridente que seus rivais, misturando o populismo de direita, sexo, celebridades e escândalos. Além disso, lançou uma guerra de preços implacável.

A tática funcionou e, em poucos anos, o Apple Daily alcançou uma tiragem de 400.000 exemplares diários.

No entanto, como muitos outros jornais impressos, sua difusão diminuiu nos últimos anos para 80.000 exemplares.

Com problemas para monetizar seu conteúdo online, Jimmy Lai teve que refazer suas finanças em várias ocasiões.

Se algo não mudou, é a atitude desafiadora do jornal, ao contrário de outros veículos da mídia local, que tendem a se autocensurar mais e evitam atacar diretamente os líderes chineses.

Quando o movimento pró-democracia começou a se mobilizar em Hong Kong em 2014, Lai se tornou o principal inimigo público de Pequim, sendo acusado de “traidor” e “mafioso” pela imprensa oficial.

Essa hostilidade foi mais intensificada pelo apoio do jornal aos gigantesos protestos pró-democracia de 2019, às vezes violentos, e pela campanha de Lai a favor de sanções internacionais para a China.

O magnata e a redação do Apple Daily celebraram os embates da China com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

– “Nos vemos na prisão” –

A imposição por parte de Pequim de uma ampla lei de segurança nacional no ano passado mudou o destino do jornal.

Lai foi um dos primeiros militantes pró-democracia famosos a ser preso em virtude dessa lei. Foi preso por participar de manifestações e corre o risco de pegar uma sentença de prisão perpétua por conspiração.

Em uma entrevista à AFP no ano passado, pouco antes da imposição desta lei, ele estimou que ela seria usada para silenciar seu tabloide.

“O que escrevemos, o que dizemos, poderá ser considerado subversão ou sedição”, alertou.

Nesta quinta-feira, em virtude desta mesma lei, cinco dirigentes do Apple Daily foram detidos e alguns de seus ativos foram congelados, na segunda operação policial em menos de um ano nessa redação.

No fim da operação, os jornalistas retornaram para sua saqueada sala de redação. A polícia confiscou 38 computadores, discos rígidos (HD) e blocos de notas.

Uma jornalista explicou que o medo vinha permeando a equipe há meses. “Muitas vezes fazíamos piadas ácidas, como ‘Nos vemos na prisão’”, explicou à AFP.

No entanto, como muitos de seus colegas, prometeu perseverar.

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