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Aos 85 anos, ‘fada madrinha’ gonçalense já realizou o sonho de 500 noivas na cidade

Por Thalita Queiroz

Toda noiva, madrinha ou dama de honra precisa de uma boa fada madrinha para realizar o sonho do vestido perfeito. Uma missão tão importante como essa não poderia ser deixada na mão de qualquer costureira. Há 71 anos abrilhantando mulheres em ocasiões especiais, a idosa Nilda Souza da Silva, de 85 anos, segue trabalhando com maestria na área da alta costura. Moradora do bairro Paraíso, em São Gonçalo, para ela não falta disposição e amor pelo que faz há sete décadas dentro de um quartinho na sua casa.

Nem mesmo o cansaço, sintoma corriqueiro para sua idade, a impede de seguir trabalhando. Segundo ela, quem a vê na rua não acredita que tenha 85 anos. “Eu tenho uma disposição de uma mulher de 50 anos. Me olho no espelho e ainda me vejo nova”, brinca ela. Acompanhando cada passo da construção das peças, dona Nilda faz questão de fazer parte desde a compra dos tecidos e acessórios até a prova final do vestido, sempre pronta para fazer os ajustes finais.

Seu amor pela costura é o segredo para que diversos clientes sigam contando com as suas mãos de fada. “Os clientes sempre tiveram uma relação de confiança em mim. Durante todos esses anos eu posso dizer que já errei mas também acertei muitas vezes”, conta dona Nilda que aprendeu a costurar aos 14 anos, com sua mãe. “Desde muito novinha eu já entrei em um curso de costura, desde então nunca mais parei”, lembra ela.

Dona Nilda conta que seu último grande trabalho, um dos mais desafiadores, foi criar um vestido de noiva com mais de 20 mil pedras em novembro do ano passado. “Foi um trabalho muito especial e trabalhoso. O vestido ficou a coisa mais linda, ficou pronto em pouco mais de uma semana”, diz a idosa.



Dona Nilda no casamento de uma das suas clientes | Foto: Divulgação



Vestido confeccionado pela costureira



Vestido confeccionado pela costureira | Foto: Divulgação



E se na quarentena tudo indicava que dona Nilda poderia dar uma pausa ou encerrar a carreira, ela provou que quando se tem amor pelo que faz há sempre algo para se reinventar. Desde março, ela dedica o seu tempo de trabalho para confeccionar máscaras, customização e reparos de roupas. “Hoje em dia, por causa dessa doença que atingiu o mundo, eu comecei a fazer de tudo um pouco para não ficar parada. Passei a costurar até roupinha para cachorro”, conta.

Foi inevitável sua rotina de trabalho diminuir com o passar dos anos, mas o que chama a atenção é a sua dedicação. Dona Nilda costuma virar noites acordada para concluir suas tarefas com a fiel escudeira máquina de costura. “De madrugada é o horário que eu sinto mais tranquilidade para trabalhar. Sempre fico até tarde finalizando os meus trabalhinhos”, diz a ‘fada madrinha’ gonçalense que não tem pretensão de parar com o trabalho nem tão cedo. “Eu ainda tenho muita disposição”, garante ela para a alegria de centenas de clientes.