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Alta-costura inverno 2022: os 5 melhores desfiles eleitos pela Vogue – Vogue

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Balenciaga (Foto: Divulgação)

BALENCIAGA
53 anos após a aposentadoria de Cristóbal Balenciaga, a linha de alta-costura da marca está de volta sob as mãos de Demna Gvasalia para sua 50ª coleção, desfilada no ateliê original do estilista espanhol na Avenue George V, que acaba de ser reformado e restaurado para parecer que esteve intocado por meio século. Responsável por deflagrar toda a onda de streetwear que tomou a moda nos últimos anos, Demna apresentou 63 looks desfilados por excelente casting de mulheres e homens de todas as idades, que iam de vestidos de baile até sobretudos, jeans e camisetas – mostrando que a alta-costura não é necessariamente sobre vestidos ricamente bordados para cruzar tapetes vermelhos, e sim sobre peças de técnica e construção impecável feitas sob medida, que mais ninguém no mundo vai ter. 

Os Melhores desfiles da Alta-costura: Pyer Moss (Foto: Divulgação/ Reprodução/ Instagram)

Pyer Moss (Foto: Divulgação)

PYER MOSS
O desfile da Pyer Moss, comandada por Kerby Jean-Raymond, encerrou a temporada de alta-costura. Originalmente agendado para quinta-feira, precisou ser adiado devido a chuvas intensas em Nova York, onde a apresentação aconteceria presencialmente com transmissão ao vivo para todo o mundo. Fãs da marca não se deixaram abalar, lotando as redes socias com mensagens de apoio mesmo após aguardaram embaixo d’água por mais de duas horas – e a espera valeu a pena. Uma das vozes mais ativas no que diz respeito a questões raciais, Jean-Raymond escolheu a mansão de Madam C.J. Walker, a primeira negra milionária da história, como plano de fundo e convidou EIaine Brown, única líder mulher dos Panteras Negras, para discursar. A coleção, além de ter marcado a volta de Jean-Raymond às passarelas após um hiato de dois anos, também foi a estreia da grife no evento e fez dele o primeiro estilista negro americano a participar do calendário da alta-costura. Cada uma das criações kitsch, como looks em forma de geladeira, celular, e um pote de pasta de amendoim fazia referência a alguma invenção de um indivíduo negro. Uma verdadeira celebração de cultura e resistência.

Os Melhores desfiles da Alta-costura: Schiaparelli (Foto: Divulgação/ Reprodução/ Instagram)

Schiaparelli (Foto: Divulgação)

SCHIAPARELLI
A Schiaparelli abriu oficialmente a temporada de alta-costura com mais uma demonstração do trabalho fantástico do diretor criativo texano Daniel Roseberry, que assumiu a casa há dois anos. Herdeiro à altura do legado da fundadora Elsa Schiaparelli, ele honra a bravura da estilista em criações arrojadas e audaciosas, que ultrapassam o limite do que se imagina da couture. Em sua quarta coleção de alta-costura, Daniel brincou com o tema toureiro em looks que partem de bases simples e usáveis (como um vestido preto, uma jaqueta de couro ou jeans) e ganham elementos fantasiosos, como bordados surrealistas e enormes bijoux biomórficas – desta vez incluindo referências deliciosas de se desvendar para quem é fã da história da casa, caso das aplicações de rosas que remetem a um casaco desenvolvido por Elsa e Jean Cocteau em 1937. “Esta coleção é assumidamente emocional, tão vertiginosa quanto se apaixonar. É também uma homenagem ao romance, aos excessos, aos sonhos. Existe algo mais urgente hoje do que sonhar grande, do que sonhar com um mundo melhor?”, diz ele. 

Os Melhores desfiles da Alta-costura: Alaïa (Foto: Divulgação/ Reprodução/ Instagram)

Alaïa (Foto: Divulgação)

ALAÏA
Dividida entra uma apresentação digital e um desfile físico na Rue de Moussy (sede da Alaïa desde 1987), no Marais, e reuniu na plateia amigos do estilista como Raf Simons, Pierpaolo Piccioli e Monica Bellucci, Pieter Mulier apresentou uma aplaudida coleção de estreia para a Alaïa. Com carreira notável (foi braço-direito de Raf Simons durante 15 anos, na Jil Sander, Dior e Calvin Klein), o belga mergulhou em suas memórias da Alaïa e reinterpretou para os dias de hoje códigos do tunisiano Azzedine (1935-2017), como as silhuetas do começo da carreira do estilista, o cinto-espartilho, o couro perfurado, o tecido body-con, os volumes esculpidos, os capuzes à la Grace Jones e a camisa branca. “Obrigado por sua adulação incomparável da figura feminina. Você foi um escultor, um gênio da mão”, escreveu Mulier em carta entregue aos convidados, na qual dedicava esta primeira coleção ao fundador. Último grande couturier do século 20, Alaïa era obcecado por desenhar roupas bem construídas que fizessem as mulheres se sentirem lindas e poderosas, gerando uma confiança que transbordava de dentro – e Mulier honrou com respeito seu legado, enquanto promete trazer a marca de volta às ruas. 

Os Melhores desfiles da Alta-costura: Fendi (Foto: Divulgação/ Reprodução/ Instagram)

Fendi (Foto: Divulgação)

FENDI
Kim Jones segue em busca de comandar uma evolução, e não uma revolução, na Fendi – e, depois de uma estreia no prêt-à-porter baseada em tons neutros e tecidos luxuosos, mais uma vez quer extrair a máxima elegância que puder da casa em sua segunda coleção de alta-costura. Tendo como inspiração a poética do cineasta romano Pier Paolo Pasolini, ele apostou em minivestidos de renda com belo trabalho de superfície, vestidos de noite com drapeados que remetem às esculturas de Bernini e sapatos cujos arcos lembram os do Palazzo Fendi – mergulhando fundo em extrair todas as referências possíveis de Roma, casa da Fendi. Mais uma vez, seu casting vem estreladíssimo, reunindo amigas como Kate Moss e sua filha Lila Grace, Christy Turlington, Amber Valletta e Adut Akech. Segundo Jones, o que lhe interessa é conectar as eras, “o antigo com o novo, o passado com o presente” – ainda que, para quem é fã da brilhante trajetória do estilista na moda masculina, fica o desejo de ver ainda mais do “novo” e do “presente” que ele já provou que sabe fazer como ninguém.